Pe. Roque Kiefer completa 60 anos de sacerdócio

No último dia 02 de dezembro o Pe. Roque Kiefer completou 60 anos de vida sacerdotal. A Santa Eucaristia em ação de graças por esta data tão significativa se deu na Paróquia Santa Marina, em São Paulo (SP), que comemora 70 anos de existência em 2016. Diversos coirmãos palotinos se uniram ao Pe. Roque na celebração presidida por Dom José Maria Maimone, SAC, bispo emérito de Umuarama (PR). 

Ao término da Santa Missa, o sobrinho e afilhado do jubilando, sr. Georg, fez um belo e comovente discurso, homenageando o tio padre. O discurso foi traduzido por uma paroquiana a partir do inglês, o qual trazemos na íntegra aqui.

Caro tio Rochus,

   Exatamente 60 anos atrás, em 2 de dezembro de 1956, você foi ordenado na Igreja de São João Batista, em Polêsine, no Rio Grande do Sul, por Dom Aloísio Victor Sartori. Neste aniversário eu trago os melhores desejos de sua irmã Hildegarda, de todos os seus sobrinhos e sobrinhas com suas famílias, bem como de seus parentes e conhecidos da Alemanha.

   A tua ordenação sacerdotal teve grande importância para todos nós. Como diácono, você administrou o sacramento do matrimônio à sua irmã Hildegarda e seu marido, nosso tio Ludwig. Você concedeu a muitos de seus sobrinhos e sobrinhas o sacramento do matrimônio, e batizou muitos de nossos filhos ou mesmo netos.

   Você decidiu renunciar à sua própria família e dirigir sua vida para Jesus Cristo. Toda a sua força, você usou para nos fortalecer como filhos amados de Deus. Para nos preparar para as tarefas do mundo. Esta tarefa não se limitou à sua família mais próxima. Sua vida aqui no Brasil e em sua terra natal foi direcionada para multiplicar nossa fé em Deus. Para fortalecer a esperança na bondade e misericórdia de Deus. Você nunca parou de proclamar o amor de Deus. Você nos educou para confiar em Deus.

   Todos aqueles que celebraram com você suas Primícias (primeiras missas), ainda se entusiasmam com aquele festival. A aldeia inteira estava em pé. A procissão magnífica do Hasental à igreja foi conduzida entre casas decoradas. Foi um grande banquete. Todos estavam orgulhosos ver você ordenado sacerdote. Todos queriam fazer parte da festa. Foi celebrada no lar de idosos. À tarde, todos foram à igreja novamente. Você deu a bênção das primícias a todos.

   Sua irmã, minha tia Hildegarda, me disse que você tomou a decisão de se tornar padre quando esteve no hospital de Saarlouis durante a 2.ª Guerra Mundial. Você estava abatido pela difteria. Você disse então, se você superasse aquela doença, então você se tornaria um padre.

   Você demorou para ser designado padre e esso sempre me deu um conforto muito especial. Eu era apenas um estudante moderadamente bom. Você era meu modelo. Você me deu esperança. Para seus irmãos, você sempre foi uma pessoa de contato valiosa. Eventos alegres foram compartilhados com você, mas também sofrimento e tristeza.

   Nossa família não escapou de problemas. Certo, haviam muitos problemas, como em toda a família. De minha mãe, sua irmã Pauline, eu sei que ela compartilhou sua alegria, mas também suas preocupações com você. Ela tinha em você um ouvinte paciente e corajoso. Você sempre esteve lá para ela e seus irmãos e irmãs. Seu conselho foi muito importante para todos nós. Queríamos que você estivesse orgulhoso de nós. Nem sempre funcionou tão bem. Eu, por exemplo, cometi muitos erros na minha vida. No entanto, você sempre me incluiu em suas orações. Você nos ensinou a fé em Deus. Você nos assegurou que, apesar de nossas falhas, somos amados por Deus. Ninguém é excluído da misericórdia e do amor de Deus, não importando as coisas ruins que tenhamos feito. Você estava especialmente feliz quando nos reconciliamos e nos perdoamos, enquanto rezávamos o "Pai Nosso". Então, você estava muito orgulhoso de nós!

   Naturalmente, você sempre foi muito consciente de sua posição na nossa família. Você sempre foi muito cuidadoso e cauteloso com essa posição. Você sempre foi um de nós, sempre modesto. Você nunca coloca suas necessidades pessoais em primeiro plano. Sua tarefa era proclamar o Evangelho, ajudar os pobres e doentes, os necessitados e os sem-teto.

   Você tem um monte de tarefas aqui na paróquia Santa Marina em São Paulo. Você ajudou a construir o seminário em Londrina. Aqui na província brasileira dos Palotinos você tem sido responsável pelas finanças há muito tempo. Você foi um pastor muito bom e fiel a todos nós. Nós nos sentimos seguros em suas mãos. Você nos acompanhou muito bem. Você nos guiou com muita segurança. Agradecemos de todo coração.

   Hoje você pode olhar muito satisfeito por sua vida e seu trabalho. Você pode, confiantemente, deixar Deus olhar seu trabalho com a certeza de ter feito muitas coisas certas. Talvez você faria as coisas hoje melhor do que você fez no passado. Deus às vezes nos faz falhar. Devemos aceitar as derrotas e perceber que não estamos sem erros. Isso também tem o seu lado bom. Ele nos torna humildes para com os outros pecadores. Ele nos dá a chance de aprender com as derrotas, se as reconhecemos como tais.

    A Sagrada Escritura nos ensina: Deus é o juiz. Ele é um juiz gracioso. Sempre podemos confiar nele. Você nos ensinou: Você sempre pode confiar no amor e na misericórdia de Deus. Ele nos dá a força para sermos misericordiosos com os outros e olhar para eles com o amor de Deus e tratá-los de acordo.

   Caro tio Rochus, mais uma vez: Parabéns por seu jubileu de 60 anos de ordenação sacerdotal. Estamos todos muito orgulhosos de você. Muito obrigado por tudo o que fez por nós. Nós te amamos.

   Deus abençoe e proteja você.

   Seu sobrinho e afilhado,

  "Jorginho"

Pe. Rochus Michael Maria Kiefer, SAC

Pe. Roque nasceu no dia 26 de maio de 1927, na distante cidade de Sankt Ingbert ao Sul da Alemanha, filho de Felix Kiefer e de Dona Katharina Lauer Kiefer. Era o 8° descendente do casal e, com certeza, nem em seus sonhos mais remotos os pais poderiam prever o futuro de seu rebento. Tendo escolhido seus primeiros estudos em sua terra natal, tornou-se schineider (alfaiate). Nesta profissão ficou até ingressar no Seminário Palotino para vocações tardias em Hersberg, Alemanha, em 20 de abril de 1947, com 19 anos de idade. Inicia o noviciado em 21 de setembro de 1951, na cidade de Untermerzbach, mesma cidade que em 1953 fez a sua 1ª Profissão.

 

Concluindo o curso filosófico na Alemanha, parte com alguns colegas para o Brasil, chegando em 10 de julho de 1954; em 21 de setembro de 1956 é realizada sua Profissão Perpétua na cidade de São João de Polêsine, no Rio Grande do Sul. No mesmo ano torna-se Diácono na cidade de Santa Maria/RS. De volta à cidade de São João de Polêsine é ordenado Sacerdote, com 29 anos.

 

Nosso querido padre ingressa na Universidade Católica de São Paulo onde licencia-se em Teologia Dogmática. Em março de 1959, ingressa como Prefeito e professor no Seminário Menor de Londrina, Paraná, saindo em março de 1960, quando assume como Vigário Paroquial em Cornélio Procópio, no Paraná, até março de 1961. No mesmo ano, retorna mais uma vez ao Seminário de Londrina, novamente na condição de Prefeito e professor até o ano de 1973.

 

Como professor lecionou latim, matemática e inglês e ainda foi assistente disciplinar. No período, de março de 1962 a março de 1968, foi Pároco de uma Paróquia rural em Guaravera onde foi o responsável pela edificação da Igreja Matriz.

 

Em março de 1973 é transferido para São Paulo onde exerce a função de Ecônomo da Província Palotina de São Paulo Apóstolo, cargo que exerceu até dezembro de 1995. Ainda no ano de 1978, no mês de março, assume a função de Pároco da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina, na Vila Carrão. Em março de 1993, deixa o cargo de Pároco para assumir o de Vigário Paroquial, que exerce com maestria até junho de 1996. Nesta data, assume o cargo de Pároco na Paróquia Santo Antonio de Lisboa até junho de 1997, quando reassume o cargo de Vigário paroquial na Paróquia Santa Marina, que exerce até a presente data.

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