Faleceu o ir. Carlos Zontini

   No dia 29 de fevereiro de 2016, segunda-feira, às 12h45, na Santa Casa de Misericórdia da Cidade de Cornélio Procópio, Paraná, vítima de falência múltipla de órgãos, isquemia do membro inferior e oclusão arterial aguda, faleceu nosso confrade:

 

* 22/07/1922 - IR. CARLOS ZONTINI, SAC - + 29/02/2016.

 

    Faleceu, portanto, com 93 anos de idade e 63 de consagração. Ir. Carlos nasceu na Cidade de Itirapina – Rio Claro, Estado de São Paulo. Não há registro de que tenha concluído o ciclo básico ou fundamental. Em 1950, com 28 anos de idade, ingressou no Seminário Menor de Londrina. No dia 02 de fevereiro de 1951, com 29 anos, iniciou o Noviciado em Londrina. Celebrou sua 1ªProfissão no dia 02 de fevereiro de 1953. A Consagração Perpétua foi celebrada também em Londrina, no dia 02 de fevereiro de 1957, quando somava 35 anos.

 

     Ir. Carlos sempre foi um homem do campo. Suas origens rurais foram trazidas à nossa comunidade e ele era visto como um caipira, na melhor acepção de seu significado, isto é, esperto, desconfiado, maroto, mas, sobretudo, temente a Deus. Dessa maneira, sempre trabalhou com a terra. Serviu o Seminário Menor de Londrina de meados do ano de 1953 até 1962, ano em que fez uma pausa nessa atividade, para auxiliar na reforma da alguns de nossos imóveis, mas, naquele ano, foi ao Seminário Maior de Curitiba onde permaneceu até meados de 1970, quando foi transferido para o Noviciado de Cornélio Procópio e de onde nunca mais saiu.

     Portanto, foi uma história de 46 anos, na qual o Ir. Carlos serviu ao Noviciado Palotino Rainha da Paz, agora Noviciado Internacional William Withmee, trabalhando de Sol a Sol na horta dessa casa, fazendo vários serviços gerais, participando da comunidade ao longo dos anos, dando um genuíno testemunho de vida consagrada a Deus, sendo um vizinho atencioso com os mais pobres, sendo amigo fiel de tantas e tantas gerações de paroquianos e cidadãos da Vila Independência.

     Os últimos anos do Ir. Carlos foram difíceis para o seu corpo marcado pela generosa idade. Foram surgindo enfermidades próprias do tempo. Suas limitações corporais, no entanto, nunca o afastaram do serviço do campo. Creio que ele não ficou um dia sem ir à sua plantação, pois se trabalhava de segunda-feira a sábado, era comum vê-lo aos domingos passeando na horta, segundo ele, para ver como as hortaliças estavam crescendo, ou mesmo, para recolher algumas delas para levar à casa de alguma família, cujos membros estavam desempregados e não tinham o que comer.

     E foi na horta que ele cuidava que, semanas atrás, sofreu uma queda e passou a se queixar de uma dor constante que começava na parte inferior da perna e se irradiava até o fêmur. Isso o levou ao internamento. Foram feitos alguns exames, até que se chegou ao diagnóstico dramático de que havia ocorrido um processo trombótico agudo. O tratamento para esse diagnóstico era a amputação. Coube ao Mestre de Noviços e Reitor da Comunidade, Pe. Elmar Neri Rubira, a difícil tarefa de comunicar ao Ir. Carlos o procedimento que seria feito. A cirurgia foi feita no próprio local da internação. Sua perna direita foi amputada acima do joelho. Os dias que se seguiram foram ainda mais difíceis, pois ele foi acometido por uma dor insuportável, que não era contida nem com o mais forte analgésico. Diante disso, novos exames foram feitos, que mostraram que a trombose não tinha cessado. O médico chegou a aventar a possibilidade de uma nova cirurgia, o que não ocorreu, pois a sedação o colocava numa situação de letargia e, aquele corpo tão habituado ao movimento, se recusou a se recuperar. A inatividade o levou a óbito.

     Os noviços que o acompanhavam na hora de sua passagem, relataram que seus sinais vitais eram normais, que ele dormiu e, instantes depois, quando os profissionais foram fazer um novo aferimento constataram sua morte. Por sinal, há que se registrar o belíssimo empenho da comunidade do Noviciado. Nossos padres estavam sempre presentes na Santa Casa e nossos noviços se revezavam no atendimento ao nosso irmão. O mesmo empenho de repetiu no guardamento e nos funerais do Irmão Carlos. Tudo feito, na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, com esmero e atenção pelos formadores e formandos do Noviciado. Outro registro foi o grande número de pessoas que se despediram do Ir. Carlos. Uma verdadeira ‘universalidade’: ricos e pobres, gente de todas as idades, gente de várias religiões prestaram sua homenagem.

     Dessa forma, terminaram tantas e tantas estórias vividas e contadas pelo Ir. Carlos, que conhecia os mistérios da natureza, os sinais do tempo, o movimento das estrelas e o firmamento, para não falar só de seu conhecimento prático da mensagem cristã e da consagração que marcou toda a sua vida. Talvez poucos saibam, mas, aquelas mãos calejadas pelo trabalho pesado traziam uma das mais belas surpresas. Ele possuía uma caligrafia belíssima, certamente, reflexo de sua grandiosa alma.

     Permito-me concluir dizendo que, o mês de fevereiro prostrou o Ir. Carlos Zontini, os dias que se seguiram lhe roubaram uma das pernas, a cirurgia lhe colocou numa cama para não mais se levantar, mas, no último dia do mês ele estava de pé diante de Deus, agora com um corpo imperecível sendo convidado a habitar nos prados eternos do Bom Pastor.

São Paulo, 11 de março de 2016.

 

Pe. José Elias Fadul, SAC.

Reitor Provincial

 

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